7 de fevereiro de 2011

Traumatismo Social



           Uma palavra percorre incessantemente o linguajar popular nos últimos anos: Trauma. A alguns ouvíamos falar em traumas apenas para danos físicos sérios em acidentes, por exemplo, ou para vítimas de agressões psicológicas muito graves. Mas, atualmente, tivemos uma verdadeira invasão dessa palavra/justificativa em nosso cotidiano, é trauma na educação familiar das crianças, trauma na educação escolar, trauma nas amizades, é trauma em todas as direções. E a tendência é que esse (mau) hábito se alastre ainda mais, parece ganhar força a cada dia na sociedade contemporânea.
           Não discordo da maioria das denúncias contra bullying que vejo noticiadas, mas entendo que uma lei específica pra essa atitude é totalmente desnecessária, pois já contamos em nossa constituição com leis contra danos morais. Portanto, uma inserção constitucional serve apenas pra alastrar um “ar de moda” a questão, fazendo desse processo algo absolutamente banalizado pela população. Tudo vira caso de bullyng. O fulano acha que tenho a orelha grande? Bullyng! O cicrano disse que tenho o nariz achatado? Bullyng! Isso é um desatre! Parece levar a sociedade pro caos e desordem. Onde está a personalidade? A imposição pelo diálogo, pelo discurso? É necessário que a lei proteja o cidadão de atitudes que venham a denegrir a ordem social ou a moral de cada um, mas não podemos enfraquecer a mente das pessoas fazendo-as exageradamente dependente de recursos legais para proteger-se da debilidade de outras que não compreendem o sentido de civilidade ou de respeito mútuo. Nerd, CDF, doido, foram alcunhas que pessoas dedicadas ao estudo sempre receberam, hoje são palavras corriqueiras em nosso cotidiano. Sempre tive problemas por ser o aluo mais novo das turmas em que estudei, isso me ajudou apenas a ser uma pessoa mais forte, me permitiu o aprendizado de lidar com pessoas maldosas.
Estamos alimentando uma cultura de fragilizados, indefesos, fracos, de gente que não sabe se impor diante de dificuldades. Causamos o mesmo mau de pais protecionistas, que estão sempre “colados” nos filhos e não permitem que se eduquem também pela experiência, que tenham a habilidade para tomar suas próprias decisões, lidando com dificuldades e tornando-se adultos responsáveis. A proibição da palmadinha foi o fim...
           O mal que esta “onda” incute nas pessoas é demonstrado também na forma como o trauma tem se instalado nos discursos pedagógicos, onde se cultiva a utopia de que a aprendizagem ocorre apenas com adjetivos positivistas, sendo o próprio cotidiano escolar um ambiente de duras críticas e pressões para professores e alunos na busca por resultados satisfatórios. Assim será no cotidiano das crianças e adolescentes, será em seus trabalhos, família, convívio com amigos. A complexidade da vida em sociedade não nos permite o luxo de uma convivência pacífica e sem confrontos, portanto não podemos alimentar falsas conjecturas na mentalidade das futuras gerações. A educação tem sido uma das maiores atingidas com esse protecionismo exacerbado, reflexo do modismo gerado pelo tema. Tudo traumatiza...


















Crédito:

Texto de Eberlandes Santana, professor de matemática e que escreve o blog  Faites Comme Chez Vous, sobre assuntos diversos que mesclam cultura e entretenimento. Vale o click. 




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