Uma palavra percorre incessantemente
o linguajar popular nos últimos anos: Trauma.
A alguns ouvíamos falar em traumas apenas para danos físicos sérios em
acidentes, por exemplo, ou para vítimas de agressões psicológicas muito graves.
Mas, atualmente, tivemos uma verdadeira invasão dessa palavra/justificativa em
nosso cotidiano, é trauma na educação familiar das crianças, trauma na educação
escolar, trauma nas amizades, é trauma em todas as direções. E a tendência é
que esse (mau) hábito se alastre ainda mais, parece ganhar força a cada dia na
sociedade contemporânea.
Não discordo da maioria das
denúncias contra bullying que vejo noticiadas, mas entendo que uma lei
específica pra essa atitude é totalmente desnecessária, pois já contamos em
nossa constituição com leis contra danos morais. Portanto, uma inserção
constitucional serve apenas pra alastrar um “ar de moda” a questão, fazendo desse
processo algo absolutamente banalizado pela população. Tudo vira caso de
bullyng. O fulano acha que tenho a orelha grande? Bullyng! O cicrano disse que
tenho o nariz achatado? Bullyng! Isso é um desatre! Parece levar a sociedade
pro caos e desordem. Onde está a personalidade? A imposição pelo diálogo, pelo
discurso? É necessário que a lei proteja o cidadão de atitudes que venham a
denegrir a ordem social ou a moral de cada um, mas não podemos enfraquecer a mente
das pessoas fazendo-as exageradamente dependente de recursos legais para
proteger-se da debilidade de outras que não compreendem o sentido de civilidade
ou de respeito mútuo. Nerd, CDF, doido, foram alcunhas que pessoas dedicadas ao
estudo sempre receberam, hoje são palavras corriqueiras em nosso cotidiano.
Sempre tive problemas por ser o aluo mais novo das turmas em que estudei, isso
me ajudou apenas a ser uma pessoa mais forte, me permitiu o aprendizado de
lidar com pessoas maldosas.
Estamos alimentando uma cultura
de fragilizados, indefesos, fracos, de gente que não sabe se impor diante de
dificuldades. Causamos o mesmo mau de pais protecionistas, que estão sempre
“colados” nos filhos e não permitem que se eduquem também pela experiência, que
tenham a habilidade para tomar suas próprias decisões, lidando com dificuldades
e tornando-se adultos responsáveis. A proibição da palmadinha foi o fim...
O mal que esta “onda” incute nas
pessoas é demonstrado também na forma como o trauma tem se instalado nos discursos pedagógicos, onde se cultiva
a utopia de que a aprendizagem ocorre apenas com adjetivos positivistas, sendo
o próprio cotidiano escolar um ambiente de duras críticas e pressões para
professores e alunos na busca por resultados satisfatórios. Assim será no
cotidiano das crianças e adolescentes, será em seus trabalhos, família,
convívio com amigos. A complexidade da vida em sociedade não nos permite o luxo
de uma convivência pacífica e sem confrontos, portanto não podemos alimentar falsas
conjecturas na mentalidade das futuras gerações. A educação tem sido uma das
maiores atingidas com esse protecionismo exacerbado, reflexo do modismo gerado
pelo tema. Tudo traumatiza...
Crédito:
Texto de Eberlandes Santana, professor de matemática e que escreve o blog Faites Comme Chez Vous, sobre assuntos diversos que mesclam cultura e entretenimento. Vale o click.

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