10 de abril de 2011

Série - Regras e princípios III



Partindo para a segunda entrevista da série, temos agora o aluno de fonoaudiologia e pesquisador em lingüística Julio Cesar Cavalcanti. As perguntas são as mesmas do volume II da série
MeuOlhoMeu:
O que você considera ser princípio? A sua definição pessoal...

J. C. Cavalcanti:
Princípio é aquilo que rege a vida de uma pessoa

MeuOlhoMeu:
De que forma?


J. C. Cavalcanti:
De forma a influenciar em suas ações, comportamento e tomada de Decisão.
Algo que ilustra muito bem isso, é quando o Apóstolo Paulo disse: Tudo me é lícito, mas nem tudo me convêm .
MeuOlhoMeu:
E você acredita que seus princípios possam influenciar diretamente suas ações de que maneira?

J. C. Cavalcanti:
De uma maneira "refletida" ou até mesmo “irrefletida”, pode ser tanto consciente como inconsciente os entremeios por trás deste mecanismo de autoconsciência.

MeuOlhoMeu:
No caso você usa seus princípios como algo que você possa consultar para "ter certeza" e não como simples exemplo?

J. C. Cavalcanti:
Não exatamente. Princípio, neste caso princípio ético, é algo que não se precisa consultar se você realmente tem consigo. Ele é refletido ao passo que a tomada de decisão não se dá por acaso, e irrefletido pelo fato de que nem sempre estamos aptos a pôr sob medida o que está por detrás de nossas ações. Algumas vezes elas simplesmente ocorrem, sem que sejamos abeis para descrever “conscientemente” o que as motivou; muitos estudos em psicanálise são destinados a explicar esses tipos de atitude.

MeuOlhoMeu:
Esses princípios, mudando um pouco, vc acha q a todos têm a mesma forma de influencia..?
J. C. Cavalcanti:
'Eu' acredito que somos mais sensíveis àqueles que são evidentemente fortalecidos em nossa cultura e no grupo social em que estamos inseridos. Como por exemplo... Não matar, é um princípio quase que geral, embora nem todas pessoas façam uso deste (estou aqui me referindo a assassinos, obviamente). Já, não ter relação sexual antes do casamento, é um princípio mais restrito ao passo que não são todos os indivíduos que o consideram tal qual "um princípio"...

MeuOlhoMeu:
Você acha q princípios também são renegados quando o lucro vem a frente?
Por exemplo...
J. C. Cavalcanti:
 O princípio é aquilo que te faz não aceitar tudo que vem pela frente. Um filósofo muito conhecido chamado Kant, disse certa vez que uma ação ela só é virtuosa, quando nada pode tirar dela sua virtude. Na verdade, pessoas que assumem alguns princípios como seus e mais adiante renega-os por qualquer coisa que o valha, nunca os ostentou. Achava que aquilo fosse um princípio em sua vida, mas a verdade é que nunca o foi.
MeuOlhoMeu:
Há aqueles casos em q a pessoa coloca a culpa na raiva... Ou em momentos de angústia, ou algum tipo de sofrimento para subjugar seus princípios... O que considera?
J. C. Cavalcanti:
Isso é possível de ocorrer. Kant pregava que existem estágios de virtude. De ações pouco virtuosas às mais virtuosas, e que se avança e amadurece com o passar do tempo; concordo com ele.
Existe o que chamamos de Obrigação prima facie. É aquilo que deve permanecer, quando um princípio se choca com outro. Exemplo: não roubo... Mas minha mãe está doente e precisa de remédio para sobreviver urgentemente. peço ajuda às pessoas, tento de tudo, mas não consigo, pois o remédio é por demais caro, vem à minha cabeça, furtar. Furto para garantir a vida de minha mãe. "Garantir a vida da mãe” é uma obrigação prima facie nesse contexto, é um princípio que neste momento, em confronto com outros, se sobrepõe. Ademais,  existe ainda a religião, que se apresenta muitas vezes como a obrigação Prima Facie de muitas pessoas, submetidas a leis superiores a si mesmas e a quaisquer condições possíveis; o que considero absolutamente legítimo.
MeuOlhoMeu:
Então, os princípios podem ser erradicados a partir de algum estímulo?

J. C. Cavalcanti:
Princípios nunca são erradicados. Abstem-se de um princípio em confronto com outro em dado momento. Mas nunca se aniquila-o. O que pode acontecer é de que um princípio venha enfraquecer com o desenvolver da história, mas ainda assim, existem as culturas mais conservadoras que prezaram de o manter no fluxo do tempo.  O ato de matar sempre foi considerado desumano desde que o mundo é mundo, esse princípio por evitar efeitos danosos nunca haverá de ser erradicado. Sabe o que creio mesmo? Creio que os princípios são tão gerais como são individuais, existem atitudes que assumem papel de valor para mim, mas que passam por despercebidas a outros.
                                                                                                                           
Agradeço a participação de J. C. Cavalcanti na entrevista e no post. A pedido do entrevistado cito a frase do grande Lao-Tsé: “Com o bom sou bom, mas mesmo com quem  não é bom sou bom, pois boa é a virtude."


Findam-se então,  as entrevistas, logo mais trarei um post com a análise dos dados colhidos e aqui apresentados. 
Esta série também pode ser vista no blog MeuOlhoMeu.



0 Comments:

Postar um comentário

COMENTA....
;)